Sempre que inicio um processo de intervenção psicológica com uma pessoa, existem alguns elementos que não prescindo de abordar num primeiro diálogo. E isto porque trata-se de um momento muito especial, pois integra o começar de um encontro que vai além da presença física. Na essência, este é um encontro que se pretende transparente, sem disfarces, sempre apoiado na confidencialidade.
Falo do momento que em si mesmo estabelece o começar de uma ligação entre quem procura ajuda e o profissional de saúde mental.
É o início da relação terapêutica.
Assim acontece um relacionamento cujos alicerces são o respeito mútuo, a confiança e a abertura ao estar, ao ser e ao sentir.
Costumo pensar neste poder especial de quando duas pessoas regularmente presentes num diálogo de confiança e escuta ativa se encontram.
É o poder da ligação que permite superar problemas de saúde mental, melhorar a sensação de bem-estar pessoal e as relações das pessoas.
Da minha ação e presença pretendo que a pessoa receba compreensão, empatia e orientação, proporcionados num ambiente seguro e de suporte à expressão aberta de pensamentos, sentimentos e experiências da sua vida.
Não há lugar para julgamentos ou avaliações críticas. Há um contexto tranquilo e emocionalmente seguro que abre o caminho da ajuda para a pessoa processar e dar sentido às suas realidades.
Há um encontro que aproxima e alimenta na pessoa a honestidade da partilha e a sua participação ativa.
Neste relacionamento existem limites claros e mutuamente garantidos.
A relação terapêutica é essencial para o sucesso da terapia e este desenvolve-se ao longo do tempo, num percurso de aprendizagem, resolução e mudança.
(Foto de © Polina Zimmerman)