A sociedade atual determina uma experiência humana repleta de rotinas, exigências e obrigações, vividas de uma forma acelerada, num mundo igualmente acelerado.
O Burnout tornou-se um adversário muito comum para muitos, e pode afetar qualquer pessoa, independentemente da profissão ou idade.
O Burnout é a causa de muitos estragos na nossa vida. Inicialmente apresenta-se através de estados de cansaço. Por repetição, tais estados culminam na vivência permanente de exaustão, provocada pela exposição a elevados níveis de stress. Rouba-nos o entusiasmo e aumenta em nós a perceção de dificuldade sobre a exigência das tarefas mais simples.
Um filtro emocional é adicionado e, em pouco tempo, o pouco torna-se muito, o rápido é percebido como duradouro e o fácil é sentido como um desafio árduo. O desempenho torna-se irreconhecível devido às dificuldades de concentração e aos esquecimentos progressivamente mais frequentes.
A diminuição da produtividade e a maior irritabilidade são inevitáveis. Começa por revelar-se como uma força silenciosa e mascarada, até se assumir implacável numa condição generalizada que afeta o bem-estar físico e mental.
A motivação desaparece. Na nossa paisagem emocional cresce o desapego e o desinteresse. Alia-se um cinismo que resulta numa espécie de justiça interior para as causas que identificamos para a origem de todo o mal-estar que estamos a viver. O nosso comportamento acompanha o que pensamos e sentimos através do evitamento, da fuga ou da resistência ao contacto interpessoal. Não estamos disponíveis para os outros, precisamos que nos deixem. Precisamos ainda de não fazer nada. Perdemos o interesse por atividades gratificantes que anteriormente a este “pesadelo emocional” nos estimulavam e faziam sorrir.
O Burnout rouba-nos a alegria e oferece-nos a desesperança e a tristeza.
Esconde-nos a imagem segura que tínhamos sobre nós próprios e revela-nos fragilidades como únicas na nossa essência. É insidioso e os seus efeitos transparecem em longo prazo com consequências físicas e mentais invalidantes.
A ajuda profissional tem uma importância vital para a recuperação da própria essência, da saúde mental, do bem-estar emocional e para a construção resiliente do EU. A intervenção é desenvolvida num espaço terapêutico seguro e de não julgamento. É o contexto certo para expressar as lutas interiores, os sentimentos e os medos associados.
Enfrentar o Burnout com ajuda profissional não é sinal de fraqueza.
(Foto de © Nataliya VaitKevich)