No domínio da vida psíquica e de uma forma positiva, muito se transforma porque se cultivam ações diferentes. O amor-próprio também se nutre. Pode crescer e tornar-se forte o suficiente para ser alicerce de autoconfiança e da autoestima.
Na minha prática clínica as pessoas conhecem o quanto é evocada a importância da ação própria para qualquer mudança, e não o esperar que esta aconteça porque algo mudou à sua volta. É sempre seguro e poderoso quando reconhecemos que depende de nós, do que dizemos, do que fazemos, do que decidimos. Muitas vezes este aspeto central exige um tempo e cuidado delicado. Não é fácil perceber e agir assim. Também não é imediato, exige entrega e disponibilidade interior, aceitação e confiança. Mas quando assim começa a ser possível é mesmo muito bom.
E assim também cresce o amor-próprio, esse sentimento de apreço pelo próprio. Reconhecem-se as características pessoais que existem e auxiliam na relação com os outros e com o ser interior. Também importam as outras características, as menos favoráveis que se teima em identificar como defeitos e para as quais existem uma atenção especial que só constrói uma visão negativa da sua pessoa. Em relação a este fulcral aspeto importa dar um novo sentido e assim continuar a reforçar o amor-próprio.
É preciso identificar as necessidades individuais para que a pessoa se conheça. Não há mudança se não existir esse conhecimento: sobre quem é, e do que precisa.
Por vezes, há uma força valorizável nessas necessidades que pode ser causa de sofrimento para a pessoa ou para os outros à sua volta. O não julgar-se faz parte deste processo. Não julgar as necessidades identificadas nem julgar-se por as mesmas existirem em si. Reconhecer e validar as necessidades é um caminho que envolve descobertas e decisões, e por isso, um percurso de esforço para a consciência de si. As necessidades de cada pessoa tornam-na única e a satisfação das mesmas, total ou parcialmente, não é condição para aumentar o amor-próprio.
O sentimento de respeito e estima em relação a si próprio cresce ao longo de todo este processo e pode ser percebido em várias situações e de diversas formas. A exemplo, através de práticas de autocuidado, no tempo vivido a fazer algo que se gosta e com pessoas que importam, sempre que nos perdoamos por erros ou dificuldades, quando aceitamos as nossas emoções e sentimentos ou mesmo quando não permitimos que os outros se aproveitem de nós.
Porém, para muitas pessoas estes exemplos não são uma realidade. O seu amor-próprio é pouco expressivo. Encontra-se oprimido por sentimentos de dever, crenças de impossibilidades e de incapacidade. Para todos os que dedicaram o seu tempo a ler este conteúdo, especialmente para as pessoas que se identificam com aquela condição, quero deixar algo mais para que possam refletir. Existem sempre oportunidades. Existe sempre a possibilidade de escolher e decidir.
(Foto de © Benjamin Romero)