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PSICOLOGIA COM TEMPO

Ana Paula Vaz - PSICÓLOGA CLÍNICA - Consulta PRESENCIAL e ONLINE

A RAIVA e a armadilha da VINGANÇA e do ÓDIO

raiva é uma emoção que já experimentámos em algum momento da vida. Propõe-nos à ação, enquanto resposta natural a situações ou acontecimentos. Quando não é gerida de forma adequada pode tornar-se uma força destrutiva, para quem a vive.

A ausência de controlo da raiva transforma-se em sentimentos perigosos para a pessoa. Refiro-me ao ódio e à vingança. No interior emocional da pessoa, estes sentimentos são alimentados por uma falsa verdade. Acredita que a sua perceção da realidade é válida e intocável.

Raiva, se não for bem compreendida e gerenciada, pode se tornar uma prisão emocional, distorcendo nossa perceção e alimentando ciclos de sofrimento." 

(Dr. Howard Kassinove)

O ódio e a vingança são alimentados por distorções cognitivas que deformam a perceção da realidade. A pessoa interpreta a realidade e a sua interpretação é assumida como real, ainda que não o seja. Desta forma, a raiva não é processada de forma construtiva e leva a pessoa a comportamentos impulsivos e destrutivos para si própria. A sua ação de ataque é tão permanente quanto a intenção de prejudicar o outro.

De forma natural e adaptativa, a raiva é uma resposta a uma ameaça, a uma perceção subjetiva de incorreção ou injustiça, ou ainda à frustração. De uma forma saudável, a força que a raiva estabelece na pessoa é canalizada para ações protetoras e para a definição de limites saudáveis. No entanto, de forma disfuncional ou emocionalmente desregulada, a raiva incentiva a pessoa a ações vingativas, maldosas e irracionais. Instala-se um ciclo que a pessoa perpetua.

Um ciclo destrutivo que dá resposta à vingança e satisfaz a pessoa na sua necessidade de infligir dor ou sofrimento a alguém que percebe como causa da sua dor, mesmo que ela nada tenha a ver com a sua experiência interior de sofrimento.

A vingança é uma expressão não saudável da raiva.

A vingança causa um alívio temporário e nunca se traduz na satisfação que a pessoa pretende. Por isto, as suas ações nunca são suficientes. Pensa permanentemente como e o que vai fazer a seguir para penalizar ou causar dor a quem acredita ser o motivo do seu estado interior. O rancor domina a sua ação. A pessoa está sempre disponível para atacar e acredita que está a defender-se, pois, vive a ameaça que construiu no seu pensamento.

Neste ciclo destrutivo onde permanece, a pessoa acredita-se plena de razão e isto justifica a sua ação hostil e conflituosa. Necessita retribuir ou devolver a sua própria frustração e assim alimenta a raiva com sentimentos de vingança e pensamentos que ruminam a sua mente.

 Estes pensamentos são repetitivos e sobre a ofensa, o rancor, a vingança e a maldade para atingir o outro. A pessoa não percebe que está presa num estado emocional de profunda frustração que a impede de prosseguir com a sua vida. Consome-se diariamente com o que vai fazer a seguir para causar dor no outro. Quando acredita que tal impacto existiu, a pessoa tem uma experiência de satisfação e de poder. Tudo tão temporário quanto falso, pois é a própria pessoa que sofre, que está sozinha e incapaz de uma ação construtiva para a sua própria vida.

Como é possível ser feliz com uma experiência interior tão doentia? Não é possível e por isso, nunca chega para a pessoa.

A pessoa quer causar dor, mas é ela que está a sofrer e não percebe que está ou ficou sozinha.

Quando o ciclo destrutivo da vingança e da raiva se perpetua, um novo aliado surge. Uma nova emoção que consome quem a vive porque não cuidou da sua raiva e a mesma é mantida no seu interior por um longo período de tempo. O ódio.

O ódio traduz um desejo persistente de mal a alguém ou a um grupo, devido a uma visão distorcida e corrosiva sobre algo ou o que esse alguém. Nesta altura, a pessoa desumaniza-se e fica incapaz de ser ou sentir com bondade e empatia, perpetuando ações maldosas. Orgulha-se do que as suas ações causam ao(s) outro(s), acredita-se poderosa e não percebe que se encerrou numa espiral que a destrói e a faz ficar sozinha. Se nesta altura ainda tem alguém por perto, é bom que esse alguém não contrarie, sob pena de tornar-se mais um alvo a abater.

O que alimenta tudo isto? As distorções cognitivas. Pensamentos irracionais ou exagerados que reforçam a raiva, a vingança e o ódio. Elas atuam como filtros que distorcem a realidade, alimentam a raiva e tornam a pessoa prisioneira de ciclos emocionais negativos.

Esta experiência de prisão emocional pode ser interrompida com ajuda profissional.

Assumir que se precisa de ajuda é o primeiro passo para a cura.

Foto de Simran Sood na Unsplash

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